Notícia

Missionária brasileira compartilha experiências de 18 anos no Senegal

Missionária relata como Deus tem usado educação, relacionamentos e perseverança para levar o Evangelho ao país.

 

Estevão Júlio, jornalista da Convenção Batista Brasileira

 

Durante o programa Batistas em Pauta, da Convenção Batista Brasileira, na Rede 3.16, Mariana Lima, uma missionária brasileira que atua no Senegal há quase duas décadas compartilhou experiências, desafios e testemunhos do campo missionário no continente africano.

 

Por questões de segurança, a missionária não teve sua imagem exibida, mas sua história revelou a profundidade do trabalho missionário em um contexto predominantemente muçulmano.

 

 

Um chamado que começou com oração

A missionária contou que seu chamado começou logo após sua conversão, em um período de busca intensa pela vontade de Deus. Ela relembra que a convicção surgiu após ouvir missionários compartilhando testemunhos na igreja.

 

“Eu tive a convicção de que Deus estava me chamando para missões. No início tive muito medo de dizer sim, então comecei a orar pedindo confirmação.”

 

A decisão, segundo ela, não aconteceu de forma imediata. Houve um processo de preparação, aconselhamento pastoral e envolvimento em projetos missionários. “Deus fala com você, mas existe um processo. A convicção do chamado é o que sustenta o missionário nos momentos difíceis.”

 

A África: uma paixão desde a infância

O desejo de servir no continente africano nasceu ainda na infância, após assistir a uma reportagem sobre a crise humanitária na Etiópia.

 

“Quando vi aquelas pessoas ajudando como voluntárias, aquilo mexeu muito comigo. Desde aquele dia coloquei no coração que um dia também gostaria de ajudar a África.”

 

Anos depois, ao ouvir sobre o Projeto Radical África, da Junta de Missões Mundiais, ela entendeu que era o momento de partir para o campo missionário.

 

Aprender antes de ensinar

Antes de atuar no Senegal, a missionária passou pelo Níger, onde teve seu primeiro contato profundo com a realidade africana. Foi ali que aprendeu uma das lições mais importantes do campo transcultural.

 

“Para ser missionário é preciso ter um coração de aprendiz. Quando chegamos ao campo, percebemos que não sabemos nada. Precisamos aprender a língua, os costumes e a forma de viver das pessoas.”

 

Segundo ela, a adaptação cultural é essencial para o trabalho missionário. “Nós somos extremamente adaptáveis. Basta ter um coração disposto a aprender”.

 

Após quase duas décadas vivendo no continente, a missionária afirma que parte de sua identidade já foi moldada pela cultura local. “Quando você vive em outra cultura por muito tempo, passa a gostar daquele estilo de vida. Hoje digo que sou 50% africana.”

 

Ela destacou, por exemplo, o forte senso de comunidade presente na cultura africana. “Em alguns lugares, um casamento pode durar dois ou três dias. Tudo é feito em comunidade, todos participam. Isso é muito bonito.”

 

Profissões que abrem portas para o Evangelho

Durante a entrevista, Mariana falou sobre a importância das profissões no campo missionário. A missionária explicou que qualquer profissão pode ser usada por Deus.“No campo há lugar para todo mundo. Qualquer profissional pode contribuir e deixar sua marca.”

 

Ela citou exemplos de voluntários que serviram em diferentes áreas, incluindo construção, saúde e até navegação. “Uma amiga piloto de navio que serviu durante um ano em um barco hospital na Papua-Nova Guiné. Todos podem colaborar de alguma forma.”

 

Educação como estratégia missionária

Atualmente, a missionária atua na gestão de três escolas mantidas por missões Batistas no Senegal. A primeira escola surgiu após uma experiência marcante em oração.

 

“Deus começou a me dar sonhos em que eu socorria crianças em perigo. Compartilhei isso com a equipe e entendemos que Deus estava nos chamando para trabalhar com crianças.”

 

Assim nasceu um projeto educacional que hoje impacta centenas de famílias. “Começamos com 24 crianças. Hoje vemos o impacto do Evangelho sendo plantado no coração delas”.

 

Sementes plantadas na infância

No contexto muçulmano do Senegal, a evangelização exige paciência e sensibilidade. Segundo a missionária, muitas sementes são plantadas ao longo de anos. Ela contou o caso de uma jovem de 17 anos que hoje está sendo discipulada. “Isso só foi possível porque ela foi nossa aluna. A semente foi plantada na infância.”

 

Evangelizar em um contexto de minoria

No Senegal, os cristãos representam menos de 1% da população. A missionária destacou que isso exige cautela e estratégias diferentes. “Quando você fala de Jesus para alguém que nunca ouviu falar dele, é algo completamente novo. Por isso precisamos primeiro conquistar confiança.”

 

Ela também relatou as dificuldades enfrentadas por cristãos locais. “Alguns jovens convertidos podem sofrer pressão familiar ou até serem expulsos de casa.”

 

Um apelo à Igreja brasileira

Ao final da entrevista, a missionária reforçou a importância do envolvimento das Igrejas no trabalho missionário. “A Igreja brasileira é grande, tem recursos humanos e materiais. Por isso é importante ajudar Igrejas mais jovens, como a do Senegal.”

 

Ela também deixou pedidos específicos de oração: pela estabilidade política e religiosa do Senegal; pelo fortalecimento da Igreja senegalesa; pela formação de novos líderes locais; pela construção das escolas missionárias

 

“Nós estamos plantando sementes. Outros virão para colher os frutos. Você não vai se arrepender”.

 

Para aqueles que sentem o chamado missionário, a missionária deixou um conselho simples e direto. “O medo é natural. Mas dê o primeiro passo. A única certeza que posso dar é que você não vai se arrepender de obedecer ao chamado de Deus.”

 

Clique aqui e assista a entrevista na íntegra em nosso canal de Youtube.