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É pecado fazer apostas em jogos de azar?” Pesquisa aponta que 41% dos evangélicos já apostaram online

Tema foi debatido no 6º Colóquio do Seminário Equatorial.

 

William Costa, jornalista voluntário do Seminário Equatorial e membro da Primeira Igreja Batista em Murinin - PA

 

A expansão das apostas online no Brasil e seus impactos éticos e pastorais foram tema de reflexão no 6º Colóquio do Seminário Batista Equatorial, realizado em dezembro, em Belém. Entre as discussões que mobilizaram teólogos, pastores e estudantes, uma pergunta provocativa chamou atenção: “É pecado fazer apostas em jogos de azar?”

 

O Colóquio foi promovido pelo Grupo de Pesquisa “Movimentos, Religiosidades e Filosofias Contemporâneas: desafios à fé e à pregação cristã”, consolidando-se como espaço acadêmico de diálogo entre fé, cultura e sociedade, uma parceria acadêmica entre o Seminário Equatorial e Seminário do Sul.

 

Dados que provocam reflexão

Embora historicamente igrejas cristãs adotem uma postura crítica em relação aos jogos de azar, a realidade contemporânea apresenta novos desafios. Pesquisa do PoderData, divulgada em outubro de 2025, aponta que 41% dos evangélicos afirmam já ter apostado em plataformas online, percentual superior ao registrado entre católicos (34%).

Os números evidenciam que o fenômeno ultrapassa o campo do entretenimento e alcança também membros das igrejas, exigindo reflexão teológica e pastoral mais aprofundada.

A pergunta que ecoa: “É pecado?”

A temática foi abordada na palestra do professor especialista Mateus Brelaz Veloso, intitulada “É pecado? Uma análise da ética cristã sobre apostas e jogos de azar”. O estudo foi desenvolvido na Faculdade Batista Equatorial (FABAE) e orientado pelo professor Ulicélio Valente de Oliveira.

A pesquisa parte do reconhecimento de que as Escrituras não apresentam uma condenação explícita às apostas. No entanto, segundo o autor, os princípios bíblicos oferecem fundamentos suficientes para uma avaliação ética consistente. O trabalho dialoga com perspectivas deontológicas e teleológicas da ética cristã e examina implicações como cobiça, vício, mau testemunho, dependência da sorte e distorções na mordomia cristã.

 

“O objetivo é contribuir para a formação de uma consciência bíblica sólida diante de um fenômeno cada vez mais presente na sociedade, especialmente com a expansão das apostas digitais”, destacou Mateus durante sua exposição.

 

Formação teológica e desafios contemporâneos

Para o orientador da pesquisa, professor Ulicélio Valente, o debate revela a necessidade de uma teologia atenta às transformações culturais.

“A discussão sobre jogos e apostas mostra como a teologia precisa dialogar com a realidade. A formação do teólogo hoje exige capacidade crítica, domínio das Escrituras e sensibilidade pastoral para lidar com questões que impactam diretamente a vida da igreja e da sociedade", disse o orientador.

O coordenador do Colóquio, o doutor Samuel Campos, reforçou que o evento se consolida como espaço de divulgação das pesquisas desenvolvidas por docentes e discentes tanto do Seminário Equatorial quanto do Seminário do Sul.

“O Colóquio é um espaço fundamental para que a teologia dialogue com as questões reais do nosso tempo. Discutir jogos, apostas e ética cristã não é algo periférico, mas central para a formação de teólogos que saibam interpretar as Escrituras com fidelidade e aplicá-las aos desafios contemporâneos", disse o coordenador.

 

Outros temas em pauta

A programação também contemplou palestras voltadas à prática pastoral, como “Desafios e impactos da mentoria: o cuidado com a saúde física e emocional dos pastores”, ministrada por Ma. Florestina Cândida Rocha Giraldi, e “Fundamento e processo do aconselhamento bíblico”, com o professor Benildo Veloso da Costa.

Ao reunir pesquisa acadêmica e aplicação ministerial, o 6º Colóquio reafirmou o compromisso do Seminário Equatorial com uma teologia bíblica, crítica e contextualizada — capaz de responder às questões que emergem da vida real da igreja e da sociedade brasileira.

 

Produção científica e continuidade do debate

Além das apresentações orais, o debate também alcança a produção acadêmica institucional. A revista Sapientia: estudos de teologia e espiritualidade (ISSN 2965-5943), vinculada aos programas de Graduação e Pós-Graduação da Faculdade Batista Equatorial (FABAE), tem se firmado como espaço de divulgação científica. A edição mais recente traz artigo do professor Mateus Brelaz sobre jogos de azar, ampliando a reflexão iniciada no Colóquio. E, pode acessada no site: revistas.fatebe.edu.br