PIB em Campos dos Goytacazes celebra 135 anos de história
Ela é a primeira Igreja Batista do campo fluminense, fundada em 1891.
Camila Muniz - Comunicação da Primeira Igreja Batista em Campos dos Goytacazes - RJ
A Primeira Igreja Batista de Campos dos Goytacazes - RJ realizou, no dia 23 de março, um culto especial de celebração em comemoração aos seus 135 anos de história. Sendo o primeiro templo de alvenaria do Brasil, na celebração reuniu membros, líderes e visitantes em um momento de fé e gratidão.
A celebração aconteceu na sede da Igreja, em Campos dos Goytacazes - RJ, e contou com a participação ativa da comunidade, além de convidados especiais. Entre os destaques, estiveram o coral da Igreja Batista de Nova Brasília, o projeto musical da Polícia Militar, a participação do pastor Eliab Corrêa e a ministração da palavra pelo pastor Ramon Pinto. O culto foi marcado por momentos de adoração, apresentações especiais e uma mensagem voltada à reflexão e fortalecimento espiritual.
A realização do culto teve como objetivo agradecer a Deus pelas conquistas alcançadas ao longo desses 135 anos, fortalecer a comunhão entre os participantes e renovar o compromisso com a missão da Igreja para os próximos anos.
Breve histórico do início Batista no campo fluminense
Tudo começou em 1890, quando o missionário William Buck Bagby, acompanhado do evangelista Domingos de Oliveira, chegou a Campos dos Goytacazes após longa viagem pela estrada de ferro Leopoldina. Hospedados no Grande Hotel Gaspar, passaram a noite em oração, buscando direção de Deus para o início da obra.
Naquele lugar, mais do que orações, nasceu uma visão. Bagby enxergou em Campos um campo estratégico para o avanço do Evangelho e escreveu à Junta de Richmond, nos Estados Unidos, destacando a cidade como a mais importante do estado após a capital, cercada por outras cidades e com potencial para alcançar até regiões de Minas Gerais e do Espírito Santo. Ele declarou: “Meu coração está cheio de esperança por esse campo”.
As orações produziram frutos. As portas se abriram na casa do norte-americano Joseph Bailey, na Rua Lacerda Sobrinho, onde aconteceram as primeiras pregações Batistas em Campos e em todo o campo fluminense. O trabalho cresceu rapidamente: pregações também eram realizadas ao ar livre, na praça São Salvador atraindo grande público. Com o grande número de pessoas acompanhando as pregações, a casa do norte americano Joseph Beale, passou a ficar pequena, aí então que o nosso primeiro historiador J. Fernandes Lessa registra: “Um brasileiro deu uma boa oferta para alugar uma casa de cultos”. Essa casa foi alugada na Rua dos Andradas número 88.
Em pouco tempo, sete pessoas desceram às águas batismais, fruto direto da pregação do Evangelho. Esses novos crentes, cheios de zelo, desejaram se organizar como Igreja. Mas antes disso, no dia 22 de março de 1891, um acontecimento marcante: três novos convertidos aceitaram a Cristo durante uma pregação do missionário W.B.Bagby na casa que eles alugaram para fazer os cultos, na Rua dos Andradas 88.
Na mesma noite, às 23 horas,passaram por uma avaliação e com o favor dos outros membros foram levados ao Rio Paraíba do Sul e batizados. Bagby sabia da carência de pessoas e obreiros no início do trabalho, essa é uma demonstração da urgência e da visão missionária daquele tempo.
O missionário William Buck Bagby, homem intrépido e movido por uma convicção profunda, enxergava em Campos um grande centro missionário. Mesmo diante de ameaças e perseguições, não recuou. Seus opositores chegaram a anunciar que, em seu retorno à cidade, lhe fariam mal, prometiam lançá-lo no tacho fervente de uma usina de açúcar. Ainda assim, Bagby voltou. E nada lhe aconteceu. Deus o guardava e a obra Batista avançava. O trabalho crescia de forma admirável. As reuniões eram marcadas por atenção, interesse e transformação de vidas. Em seus relatos à junta missionária, Bagby expressava sua alegria ao ver o fruto do Evangelho: pessoas se rendendo a Cristo, professando sua fé e sendo batizadas. Em uma de suas visitas, relatou uma congregação numerosa, atenta à Palavra, onde decisões por Cristo aconteciam com sinceridade e prontidão.
Percebendo o avanço da obra, compreendeu que era necessário alguém dedicado integralmente àquele campo, pois dividia seu tempo entre sua residência em Niterói - RJe o trabalho na Igreja Batista do Rio de Janeiro. Assim, com sabedoria e visão, lançou bases mais firmes para o crescimento da obra em Campos, deixando o evangelista Domingos de Oliveira na liderança do trabalho, que rendeu muitos frutos e no dia 23 de março de 1891 foi organizada a Primeira Igreja Batista de Campos dos Goytacazes – RJ. A PIB Campos foi a 8° Igreja Batista organizada no Brasil.
Em 1893, uma nova fase começou com a chegada do missionário Salomão Luiz Ginsburg em Campos dos Goytacazes, que assumiu o pastorado da Igreja em 30 de outubro daquele ano. Sua atuação marcou profundamente a história Batista na região. De espírito alegre e comunicativo, fez amizade com a imprensa e utilizou os jornais como instrumento de divulgação da obra. Seus batismos no Rio Paraíba do Sul atraíam multidões, inclusive opositores.
Foi através da pregação do missionário Salomão Ginsburg que Deus levantaria um jovem que seria um grande líder Batista do Brasil. Esse jovem era Joaquim Fernandes Lessa, que se converteu após a pregação e uma longa conversa com o missionário.
É sob a liderança de Ginsburg, que um marco histórico foi estabelecido: em 21 de abril de 1898, a Igreja construiu o primeiro templo Batista do Brasil em alvenaria, em Campos dos Goytacazes. A inauguração foi divulgada em quase todos os jornais da região, e teve o sermão proferido pelo Missionário Willian Buck Bagby, com um auditório de aproximadamente mil pessoas.
De lá para cá, a obra não parou. Os Batistas se multiplicaram, Igrejas foram plantadas, cidades vizinhas foram alcançadas e regiões onde o Evangelho ainda não havia chegado passaram a ouvir a mensagem de Cristo. Homens simples e cultos, ricos e pobres, servos de Deus de todo tipo se levantaram para fazer a mensagem de Cristo chegar a todo solo fluminense.
Hoje, a Convenção Batista Fluminense é a maior do Brasil, com 2174 Igrejas, 41 associações, presente em 91 municípios e com 328 mil Batistas.
O impacto da denominação Batista foi além dos púlpitos. A atuação Batista no campo fluminense contribuiu para a sociedade com a criação de escolas, hospitais, centros de recuperação, abrigos para órfãos e idosos, seminários, faculdades e inúmeras ações sociais que promoveram dignidade e transformação de vidas.
Hoje, 135 anos depois, permanecemos com a mesma mensagem, servindo ao mesmo Deus, e com o mesmo chamado: “Ide por todo mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16.15).