Notícia

Discurso do Pr. Irland Pereira de Azevedo às autoridades presentes na 105ª Assembleia

Pr. Irland é presidente emérito da Convenção Batista Brasileira.

 

Fala do pastor Paschoal Piragine Jr., convidando pastor Irland ao púlpito: “Queria convidar nesse momento Pr. Irland Pereira de Azevedo, presidente emérito desta Convenção, já com 65 anos de ministério e 91 anos de vida, nosso decano, a responder à saudação das autoridades nesse momento”.

Pr. Irland Pereira de Azevedo

“Tenho a honra de cumprir este mandado e mandato que o presidente Paschoal Piragine Jr, e o secretário-executivo, Fernando Brandão, me cometem. Eu quero agradecer essa honra.

Quero, em nome dos Batistas brasileiros que aqui se reúnem, representando milhares de Igrejas e de convenções e associações de Igrejas e de pastores, quero registrar a nossa gratidão ao governador Jerônimo Rodrigues, ao prefeito Bruno Reis, à hospitalidade dos baianos à nossa gente, ao nosso povo. Hospitalidade que lembra aquela de 1822, quando chegaram os missionários aqui e iniciaram a obra Batista, fundando a primeira igreja nesse estado. Como nós cremos na liberdade, na liberdade de escolha, a igreja hoje tem um outro nome, mas lá nasceu a obra Batista do estado da Bahia e no Brasil.

Senhores deputados, senador, ex-senador, demais representantes do Poder Legislativo, os batistas têm uma enorme contribuição para a história da Democracia em todo o mundo. Há uma obra, aliás, em inglês, intitulada “A Dívida do Mundo aos Batistas” – “The World’s Debt to the Baptists” –, porque as sementes da Democracia se encontram na maneira de ser, de agir, de proceder dos batistas. Desde os seus começos.

Nós rendemos graças a Deus, porque os Batistas aqui têm tido oportunidade de pregar o Evangelho e de viver a sua fé e defender os seus princípios. Entre eles, o princípio de liberdade religiosa, o princípio de respeito à fé dos outros. A liberdade que defendemos é para todos, para todas as religiões, para todos os credos. A liberdade de crer, de propagar e de viver. Nós defendemos a liberdade. Nós defendemos também a separação entre Igreja e Estado. Não é oposição Igreja-Estado, mas separação, em que a igreja cuida de valores e questões espirituais atinentes à pólis, atinentes ao país, ao povo, à gente, aos estados, aos municípios. As igrejas são cooperadoras na obra social, na obra educacional, que é magnífica no Brasil. Nós damos graças a Deus pela obra que os governantes reconhecem. E nós desejamos continuar a ter a liberdade de viver o Evangelho, de anunciar que só Jesus Cristo salva. Outros, se quiserem dizer que outros salvam, têm a liberdade de dizê-lo, mas a nossa mensagem irrecusável é de que só Jesus Cristo salva. Por Ele vivemos. Por Ele vivemos, por Ele já morremos e estamos dispostos a morrer tanto quanto a viver. Alguém já disse que se alguém não está disposto a morrer por sua fé, não tem o direito de viver por ela. E nós temos a bênção, como diz um hino, “Que delícia é crer em Cristo”. Nós experimentamos essa delícia de crer.

Eu fui batizado há 77 anos, com 16 anos de idade. Tenho hoje noventa e um, caminhando para noventa e dois. Já veem a minha idade, não é? Mas como eu sou feliz! Foi na Igreja que eu aprendi a ser gente, foi na igreja que eu aprendi a constituir família, foi na Igreja que eu encontrei a minha noiva, com quem casei e com quem vivi quase 70 anos, mas ela há um mês foi, partiu para o Senhor. Foi na Igreja que eu aprendi a criar meus filhos, eduquei os meus filhos, eles os filhos deles, os meus netos, e os meus netos aos filhos deles, meus bisnetos, que somam dezessete. Eu dou graças a Deus por toda esta corrente de compromisso com o Evangelho, compromisso com a Igreja, compromisso com os valores eternos, compromissos com a família, matriz da sociedade e qualquer organização. Não há nenhuma instituição neste mundo tão preparada para preparar as novas gerações como a família cristã. E a Igreja dando suporte a essa família.

A escola é ancilar, cuidando dos saberes, digamos assim, comuns, mas os valores espirituais e morais são transmitidos pela família e reafirmados pela Igreja. Portanto, senhores governantes, olhem os batistas com muita compreensão de um povo que ama a verdade, ama a liberdade, ama a paz e ama a unidade, proclamando que SOMOS UM, e quem nos faz um é Jesus Cristo. Deus nos abençoe, Deus abençoe a Bahia, Deus abençoe Salvador.

Discurso transcrito por Fabrícia Miranda A. Targa, membro da Igreja Batista da Graça - BA