Northorp Frye, eminente crítico literário, declarou que a Bíblia é o “livro dos livros”, funcionando como uma espécie de base arquetípica de toda a literatura ocidental. Certamente, um livro que é lido há cerca de 3 mil anos, traduzido em mais de 2 mil idiomas e que teve mais de 2 bilhões de exemplares publicados somente no século XX trata-se de um impressionante fenômeno.
Convém termos em mente que, ao falarmos em “Bíblia”, estamos falando em uma “coleção de livros” (este é o significado, em grego, do vocábulo). No Cristianismo, o livro sagrado é dividido em Antigo Testamento e Novo Testamento. No Judaísmo, só é reconhecida a primeira parte, denominada de Bíblia Hebraica. Muitos são os autores desses livros. Possivelmente, antes de serem transcritas, as histórias eram transmitidas oralmente por várias gerações.
Entre esses livros, há poemas, leis, narrativas, provérbios. A correta leitura de cada um deles requer uma compreensão do contexto de produção e dos gêneros literários. Sem isso, as interpretações podem ser equivocadas. Por exemplo, o episódio em que alguns jovens são castigados por chamarem o profeta Eliseu de “calvo” pode parecer absurdo, se o leitor não entender que, para a época, essa não era uma conotação infantil, mas uma acusação de que o profeta seria sacerdote de Baal – comportamento muito mais grave. Semelhantemente, não se pode conceber uma poesia (como no livro de Cantares) da mesma forma que se lê uma carta paulina, cheia de argumentos teológicos. Cada gênero literário possui uma ‘engrenagem’ própria de recursos estilísticos. Podemos usar as palavras de C. S. Lewis para sintetizar esta ideia: “De certa maneira, a Bíblia, uma vez que é, afinal de contas, literatura, não pode ser lida corretamente, senão como literatura; e suas diferentes partes, como os diferentes tipos de literatura que são”.
Obviamente, para o crente, a leitura bíblica reveste-se de maior relevância. Enquanto para o incrédulo, trata-se a Bíblia dum livro antigo, para o que crê é a Bíblia a Carta Magna de toda a verdadeira liberdade. Assim, o cristão estimula a leitura bíblica como um processo de crescimento espiritual.
Na Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira (CBB), as Escrituras Sagradas são tratadas em um capítulo especial. “A Bíblia é a Palavra de Deus em linguagem humana. É o registro da revelação que Deus fez de si mesmo aos homens. Sendo Deus seu verdadeiro autor, foi escrita por homens inspirados e dirigidos pelos Espírito Santo. Tem por finalidade revelar os propósitos de Deus, levar os pecadores à salvação, edificar os crentes e promover a glória de Deus”, diz um trecho do documento.
A denominação também estimula que seus membros leiam a Palavra, por meio da Jornada Bíblica 2026, que começa no domingo (1º de fevereiro) e segue até dezembro, com milhares de cristãos batistas lendo a Bíblia juntos, em uma só voz, como uma materialização do tema anual: Somos um. O movimento segue mediante um canal no WhatsApp. Entretanto, carrega em si uma mensagem para toda a sociedade hodierna: leia a Bíblia; certamente, sua vida será transformada.
Jénerson Alves, membro da Igreja Batista Emanuel em Caruaru - PE