Artigo

Pastor entre desafios e vitórias

Pastorear é um ato de amor, como o diálogo intenso de Pedro com Jesus nos revela. Sem amor não há pastoreio (João 21.15 a 22). O ministério pastoral é cheio de desafios e vitórias. Alegrias e tristezas no mesmo dia. Aconselhamento difícil e visita agradável no mesmo período do dia. Reuniões chatas e desgastantes e reuniões inspirativas com líderes animados. Períodos de grande luta e provação e períodos de bonança. Assim caminha o pastor. Com as emoções sendo testadas e levadas ao limite o tempo todo, porque o pastor lida diretamente com seres humanos. Seres pecadores e carentes da graça, assim como o pastor.

As emoções do pastor são testadas a todo tempo e todo dia, até na folga. Haja vista como os pastores estão adoecendo emocionalmente nesse tempo marcado pela correria, comparações, busca pelo sucesso e tantas outras questões difíceis de nossos dias. O pastor vive na tensão de suas responsabilidades familiares, eclesiásticas, denominacionais, acadêmicas e tantas outras e com a demanda de cuidado do rebanho, que possui suas particularidades. Quem é pastor e quem não é sabe que cada ovelha tem um jeito, uma personalidade e um modo de agir e sentir, e assim o pastor precisa de muita sabedoria, sensibilidade para cuidar do rebanho e atender as ovelhas em suas particularidades. O pastor precisa cuidar do rebanho de forma coletiva, mas também cuidar da ovelha em particular. Cuidar da alimentação do rebanho, que é uma ação para todas, mas cuidar das feridas da ovelha desgarrada. Cuidar do rebanho, na linguagem bíblica, das 99 ovelhas, mas sair a campo em busca da ovelha desgarrada, que voltará nos braços do pastor que cuidará dela com carinho e cuidado. Cuidar do rebanho contra doenças e cuidar para que o lobo permaneça longe do rebanho (cf. João 10). É uma grande obra. Demanda tempo. Demanda muito tempo de oração com Deus, por meio de Jesus, de quem são as ovelhas.

E, diante de tantas variáveis no ministério pastoral e seus grandes desafios, emergiu outro desafio com a chegada do coronavírus (COVID-19) no Brasil, e assim a partir da segunda quinzena de março, os templos foram fechados e os pastores tiveram que enfrentar uma situação nunca vista em nossa geração. Todos esses desafios e vitórias se misturaram nos dois últimos meses, quando os pastores se viram dentro de uma pandemia, que “sequestrou” as ovelhas para suas casas e o pastor acostumado ao púlpito e ao templo, se viu forçado a (re) pensar seu ministério e suas práxis ministerial. E tudo isso sem tempo para reflexão sobre tudo o que está acontecendo. Os pastores acostumados a pregarem nos púlpitos, diante de muitas pessoas, se viram com o templo fechado falando para as cadeiras e uma câmera a sua frente que transmite sua fala para suas ovelhas, que agora estão nos sofás de suas casas e não nos bancos das Igrejas.

O pastor foi desafiado a manifestar cuidado e ter ações pastorais a partir da internet e sem ter contatos físicos. Os aplicativos de conversas foram a solução rápida para comunicação com as ovelhas, as Lives e as transmissões se tornaram o canal de comunicação da mensagem, e toda a dinâmica pastoral sofreu alterações drásticas. A tão temida internet e mídias sociais deixaram de ser demonizadas e se tornaram uma ferramenta de trabalho. Grande desafio ao pastor e sua equipe administrativa, cuidar das demandas financeiras nesse tempo de recessão e retração econômica. Pastorear se tornou ainda mais complexo, mas abriu espaço- e oportunidade- para que algumas ovelhas distantes se aproximem, e a voz do pastor passou a ser ouvida por outras pessoas que não fazem parte do rebanho local. Os “visitantes” nas Lives puderam ver a dinâmica do pastoreio de muitas igrejas e assim conhecer o pastor local.

Temos o relato de Jeremias, o profeta, que registra uma linda promessa de Deus sobre a figura do pastor. “E vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com ciência e com inteligência” (Jeremias 3.15). Essa promessa de que Deus é que separa e dá os pastores, segundo seu coração (seu molde) para cuidar e apascentar as ovelhas, é incrível, e esse pastoreio é realizado com ciência e inteligência. O pastor em meio à pandemia, continua cuidando de sua alma, da sua espiritualidade, buscando a Deus em oração pelo rebanho e pela condução de seus sermões, para poder cuidar e alimentar o rebanho com sabedoria e inteligência conforme o texto do profeta Jeremias nos descreve.

Nesse Dia do Pastor cabe a nós agradecermos ao Supremo Pastor (cf. João 10, I Pedro 5.1 a 4, Hebreus 13.20), Jesus Cristo, que vocaciona e chama homens como Pedro para amá-Lo e assim cuidar de Seu rebanho (cf. João 21). Que os pastores sejam fiéis e sigam o modelo de pastoreio de Jesus que agrada a Deus Pai e leva as ovelhas para o aprisco do Senhor. Que Deus fortaleça os verdadeiros pastores nesse tempo de cuidado e pastoreio em meio a tantos desafios. Que os pastores continuem amando a Deus e a nobre vocação e o rebanho perceberá e respeitará o pastor em seu exercício vocacional. Que os pastores valorizem esse ofício/vocação nobre concedido por Deus e que as ovelhas honrem e respeitem seus pastores, para que o Pai seja glorificado (cf. Hebreus 13.17). Que os pastores superem os desafios ministeriais para serem fiéis e desfrutarem da imarcescível e incorruptível coroa de glória que o Supremo Pastor dará aos seus arautos (cf. I Pedro 5:4).

Que Deus use os pastores para o louvor de Sua glória.