Artigo

Um pedido especial

 

Um dos capítulos mais bonitos das Escrituras, sem dúvida, é o de Hebreus 11. Os personagens citados na galeria da fé obedeceram e confiaram em Deus a despeito das circunstâncias (Hebreus 11.32-38). O autor de Hebreus, a fazer menção de José, traz a lume o pedido que ele faz antes de sua morte. Que seus ossos não ficassem no Egito. Por que José faz este pedido a seus irmãos? Gostaria, ao longo desta reflexão, listar algumas possíveis respostas.

 

Em primeiro lugar, o Egito é símbolo de escravidão (Êxodo 1.13). Os egípcios obrigaram os escravos hebreus a construir cidades e trabalhar nos campos. O Egito foi um lugar de humilhação para o povo durante um período de 430 anos. José afirma que ele morreria, mas que Deus visitaria seu povo e os libertaria das algemas da escravidão (Gênesis 50.24). Hoje, pela graça, somos livres! O Senhor, através de Seu Filho nos libertou da escravidão do pecado e das mãos de Satanás. O Egito não é mais nosso lugar.

 

Em segundo lugar, no Egito a servidão é cruel (Êxodo 1.14). Moisés, ao descrever o tempo em que o povo passou no Egito, diz que os feitores egípcios amargaram a vida dos Hebreus. Por vezes encontramos pessoas que acreditam que a vida com Deus é opressora, cheia de regras e proibições, e que não vale a pena ser vivida. Entretanto, o que vemos é que a pretensa liberdade que estas pessoas desfrutam torna-se para elas uma servidão. Muitos não conseguem se libertar dos feitores que amargam suas vidas. Quem são estes feitores? Tráfico, prostituição, jogatina, álcool, trapaça etc.

 

A verdade é que o pecado promete prazer e traz desgosto e alienação. Como diz o pastor Ed. René Kivitz, “O pecado ilude. Pecado drena. Pecado bestializa. Pecado desumaniza”. Somente o poder do Evangelho é capaz de libertar o homem destes feitores cruéis. Poder este que tem origem no próprio Deus. Nada resiste ao poder do nosso Deus.

 

Em terceiro lugar, o Egito é lugar de morte (Êxodo 1.22). Para conter o crescimento do povo Hebreu, Faraó dá a ordem de se exterminar todas as crianças do sexo masculino, afogando-os no rio Nilo. O apóstolo Paulo ensina que o salário do pecado é a morte. Muitos têm sido ceifados precocemente como consequência direta do pecado. Este é o preço que o Egito cobra – a morte. Muitos pais têm chorado a morte de seus filhos. Os pais precisam, à semelhança das águias, proteger seus filhos dos ataques do inimigo. Proteção esta que nós encontramos nos braços do Altíssimo. Faça conhecido no céu seu filho, querido pai, querida mãe. Fale de seus filhos a Deus por meio da oração. Ore, clame, interceda dia e noite por seu filho (a).

 

Termino esta reflexão fazendo uma observação. Nossos pedidos jamais caem no esquecimento. O tempo de escravidão do povo Hebreu no Egito foi de 430 anos. Tempo suficiente para que o pedido de José fosse esquecido. Entretanto, Deus jamais se esquece de nossos pedidos. O tempo não é capaz de apagar da memória do nosso Deus o que pedimos a Ele. Sua causa não está esquecida. Ela está bem viva no coração de Deus.