Artigo

Saindo da escuridão

A narrativa do cego Bartimeu está registrada nos três Evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas). Este é o último milagre registrado no Evangelho de Marcos. Jesus caminha em direção ao calvário, onde entregaria a Sua vida para a remissão de nossos pecados. Neste trajeto, ele ainda encontra tempo para exercer Sua misericórdia e curar dois homens cegos, um deles Bartimeu (Mateus 20.30-34).

Marcos e Lucas, ao descreverem este episódio, apenas fazem menção de Bartimeu, porque possivelmente este era o mais conhecido e se destacou por conta de seu clamor. De que forma o evangelista Marcos descreve este homem?

Primeiro, como um homem entregue as trevas e a miséria (Marcos 10.46). Ele não tinha luz nos olhos e nem dinheiro no bolso. Um cego não sabe aonde vai e um mendigo não tem aonde ir. Segundo: um homem a margem da sociedade (Marcos 10.46). Ele era o que se designou de pária da sociedade. Pária é aquele que está excluído do convívio social. Isto fica claro porque o texto nos diz que ele estava à beira do caminho. Terceiro: um homem sem identidade própria (Marcos 10.46). Bartimeu não era nome próprio, ele era reconhecido pelo nome de seu pai (Filho de Timeu).

Mesmo tendo uma condição desfavorável, percebemos em Bartimeu uma decisão resoluta, firme de sair do estado em que encontrava. Quero aqui elencar alguns pontos para a nossa reflexão. Em primeiro lugar, Ele não desperdiçou a oportunidade que apareceu (Lucas 18.35-38). Como fora explicado anteriormente, Jesus está a caminho de Jerusalém, marchando para o calvário, onde seria sentenciado e pregado em uma cruz. Era a última vez que Jesus passaria por Jericó. Aquela era a última oportunidade de Bartimeu. Ele não desperdiçou a oportunidade e clamou por Jesus. Hernandes Dias Lopes diz: “A oportunidade tem asas, se não a agarrarmos quando ela passa por nós, podemos perdê-la para sempre. Nunca saberemos se a oportunidade que estamos tendo agora será a última da nossa vida”.

Em segundo lugar, ele clamou pela pessoa certa (Marcos 10.47). Bartimeu não foi à busca das autoridades religiosas da época, ou dos gurus espirituais com visões e revelações mirabolantes. Ao ouvir que Jesus passava, ele clamou, clamou com intensidade pelo nome de Jesus. Chamou Jesus de Filho de Davi – este era um título Messiânico. Somente Marcos destaca isso. Bartimeu reconhece Jesus como Messias.

Em último lugar, ele não colocou desculpas diante do chamado de Cristo (Marcos 10.49-50). Jesus chamou Bartimeu – e sua resposta foi imediata. Ele saltou, e foi ter com o mestre. Há muitos que escutam o chamado de Jesus, mas procrastinam, ou seja, deixam para depois sua resposta. Assim como no passado, Jesus continua chamando homens e mulheres para desfrutarem da salvação que ele oferece. Se porventura você ouvir a voz do Senhor, não endureça seu coração.

Por: José Manuel Monteiro Jr., pastor, colaborador de OJB