Artigo

De que forma a Igreja poderá exercer uma evangelização relevante dentro do contexto dos que estão em vulnerabilidade social?

Praticando o Evangelho! Mais do que falar de Cristo, devemos viver. Nosso Senhor e Salvador sempre estava preocupado com aquela multidão que o ouvia; ao ver a necessidade, lhes pregou a salvação, mas também lhes deu pão (Marcos 6.30-56).

 

É claro que a salvação não é por obras, mas exclusivamente pela fé (Efésios 2:8,9), mas também está escrito: “A fé sem obras é morta” (Tiago 2.26). Somente praticando o Evangelho poderemos exercer uma evangelização relevante no contexto que estamos inseridos. Vale lembrar que, boas obras sem a mensagem da cruz não é evangelismo, pois a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10.17), pois se for somente boas obras sem a mensagem que salva, será só mais uma ação social; como um ateu faz, um espírita, um budista, enfim... Cristo não nos chamou para um ativismo social, mas sim, para sermos suas testemunhas na sociedade.

 

A Igreja não pratica as boas obras, não dá assistência social, para garantir sua salvação; pelo contrário, ela age dessa forma porque foi salva, foi lavada pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo (Tito 3.5) e a garantia de sua salvação está na obra perfeita e eficaz de Cristo. Como disse Lutero: “Deus não precisa de tuas boas obras, mas teu vizinho sim”. A melhor maneira de apresentar o Cristo de Deus neste contexto é servir como o próprio Cristo e Salvador nosso nos deixou o exemplo, a fim de que possamos seguir os seus passos.

 

Um ponto bem interessante: devemos, sim, praticar o Evangelho; praticar boas obras, servir a sociedade, mas nunca diminuir o escândalo da cruz. Cristo alimentou multidões, transformou água em vinho, teve compaixão e ressuscitou mortos, mas nunca suavizou a verdade de Deus. “Em verdade, em verdade vos digo: vocês me buscam não porque viram os sinais, mas porque comestes os pães e vos fartastes” (Jo 6.26). Muitos acharam duro esse discurso, mas Jesus não aliviou, pelo contrário.

 

A Igreja, muitas vezes, acha que, por alimentar um homem em situação de rua, dando banho ou roupas, deve poupá-lo do escândalo da cruz. Jesus não poupou, devemos seguir o exemplo de Cristo em tudo, pois Ele não aponta o caminho da salvação, Ele é o próprio caminho, a própria salvação.

 

Portanto, não devemos desistir de fazer o bem e lembrar-nos sempre que a religião pura e imaculada que nosso Deus e pai considera, é aquela que: ama a todos, mas que lhes transmitem toda verdade de Deus; é aquela que exerce compaixão e graça aos perdidos, mas sem massagear seu ego; é aquela que visita os órfãos e viúvas em suas aflições (Tiago 1:27), sem deles esconder o escândalo da cruz, que todos pecaram e estão separados de Deus (Romanos 3.23), que estão debaixo da ira de Deus (João 3.36), e que devem se arrepender dos seus pecados e crerem em Cristo para que seus pecados sejam cancelados (Atos 3.19), pois somente por meio de Cristo temos paz com Deus (Romanos 5.1). 

 

Daniel Novais seminarista - membro da Primeira Igreja Batista em Vila J. Lima - MA

Imagem